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30 abril, 2011

Crítica Literária - Dinheiro do Céu

Fui a biblioteca de minha escola e graças  á regra de " escolher o livro que quer somente pelo nome e nome do autor" eu escolhi Dinheiro do Céu, de Marcos Rey. Escolhi este porque adoro romances policiais e sei que este era o tema preferido de Marcos Rey. Mas senti raiva quando, em casa, abri o livro e me deparei com os seguintes dizeres:
                               Dinheiro do Céu não é uma história policial como as anterirores que escrevi para esta coleção - desculpem-me.


E mesmo não gostando de ter sido enganado por um escritor que morreu em 1999, resolvi que leria o livro até o fim. E faria isso rápido. Motivos:
1. Há um prazo de cinco dias para entregar os livros para a biblioteca.
2. Eu queria mesmo trocar de livro logo.
3.  Queria ficar livre para os trabalhos de escola!

Peguei o livro ontem, terminei hoje. Não por causa dos motivos citados acima. E sim porque me apaixonei pelo livro. Por quê? Leia abaixo.

A história se passa em 1964, mas o assunto principal não é o golpe militar que ocorreu na quela época. Don Francesco, o mais velho da família, pega as economias da família e vai para Itália, mais especificamente em Chiaromonte, pegar dos parentes italianos a parte de uma herança que lhe pertence.
Mas o que surpreende é que apesar de o título retratar a viagem do nono na Itália, o livro não dedica nem um sequer capítulo para narrar o tempo que Don Francesco ficou na Itália e o que aconteceu nesse tempo.
A nhistória conta o que aconteceu com a família brasileira desse velho enquanto ele estava na Itália, mais necessariamente o que aconteceu na vida de Dani, o personagem principal e narrador da história.
Adorei os personagens. Pois melhor que um personagem original é um personagem tão clichê que faça nós nos identificarmos com ele. Amei as frases de efeito ( geralmente ditas pelos personagens Salvador, Mandrake e Gianini).
O livro me ensinou a ler através do que está escrito. Aprendi que um simples "Lindo, lindo, lindo!"  pode significar um belo " O tempo em Nápole está ótimo, estou muito feliz e alegre. Não se preocupem, volto logo coma herança."
A maioria dos fãs de Marcos Rey não gostam deste livro porque não tem um final feliz. Eu achei o melhor livro de Marcos Rey simplesmente por não ter final feliz.
O livro não acaba como esperado, com tudo ás mil maravilhas e todo os planos dando certo e os personagens viveram felizes para sempre. Mas também não acaba triste, com os personagens infelizes e tudo desiludido. Acaba como a vida. Alguns problemas solucionados, outras coisas que pareciam boas e pioram e depois voltam aos eixos. Desilusões amorosas, explosões sentimentais, viagens e o belo e corajoso ato de seguir em frente.
Só acho que a capa não mostra o que realmente interessa no livro. A capa original sim, que mostra Dani escolhendo sua fantasia para o baile do sábado de Aleluia. Mas não a nova, que postei acima. A capa nova mostra Don Francesco, com seu guarda-chuva e sua mala, indo até o navio para embarcar e partir para a Itália.
E agora uma pequena análise sobre os personagens principais:
Don Francesco: Na casa dos oitenta anos, pega as economias da família e vai para a Itália em busca de uma herança que poucos acreditavam que existia. Acredito que Marcos Rey tenha o criado para expressar que a impulsividade e a valentia não são obras somente dos jovens.

Atílio: Filho de don Francesco, um exemplo de adulto responsável. Não tem muita importãncia na história, mas é o tipico pai de família que é contra os costumes atuais e defende costumes antigos como tango, salsa e as mulheres de vestidos longos e os homens de chapéu.

Romilda: Esposa de Atílio. Mãe preocupada e dedicada, o tipod e mãe que todo adolescente queria ter. Deixa seus filhos seguirem suas vidas e não se mete em todos os assuntos de todos da casa.

Roberto: Filho mais velho de Atílio e Romilda. Ninguém sabe como consegue tanto dinheiro, roupas chiques, carros caros e um apartamento de luxo. É o personagem principal de um dos maiores mistérios da história.

Fúlvio: Irmão de Roberto. Se sonho? Sere responsável como o pai e cursar a faculdade de medicina. Debocha de tudo, mas não deixa de ser um personagem sério.

Teresa: Vinte e seis anos nas costas e nunca namorou. Passa a vida a ler fotonovelas e tem um certo segredo. Fica o tempo todo na janela, mas ninguém sabe o que fazendo. Representa as moças tímidas que não namoram por medo dos pensamentos dos pais.

Danilo: Mais conhecido como Dani, representa os jovens de todo o mundo. Acho que não preciso falar muito dele, porque já o citei acima.

Mafalda: Namorada de Dani. Insegura como relacionamento e cada vez mais madura e preocupada com o futuro, é incrível como Rey conseguiu criar uma personagem tão parecida com as garotas da vida real.

Tio Salvador: Sem dúvidas  meu personagem favorito. Não trabalha ou estuda,e mroa no quarto dos fundos da casa por ser irmão de Romilda. É o clássico personagem vagabundo e opinador, que dá conselhos para os personagem principais e ganha o carinho do público. Exemplso de outros "tios Salvadores" são Gordy ( Manual de Sobrevivência Escolar do Ned), Seu Madruga (Chaves) e Augustinho Carrara (A Grande Família). Não tem coragem de mover um músculo para trabalhar mas quando o assunto é tomar vinho ou lutar por seus ideais nninguém consegue segurá-lo.
Personagens citados antes do quadro de personagens ( como Mandrake, Farid e Gianini) não ganharam citação acima pois revelam mistérios sobre a trama.

Uma das melhores coisas deste livro é que ele mostra que entre 2011 e 1964 não há tanta diferença assim.


P.S: Não gastem seu tempo reclamando por eu falar de livros velhos. Livros não envelhecem, o que envelhece é o leitor, e é direito de cada um expressar suas opiniões sobre assuntos antigos, atuais ou futuros.

27 janeiro, 2011

Crítica Literária - A Viagem do Peregrino da Alvorada

Há poucos dias terminei de ler o livro A Viagem do Peregrino da Alvorada, da série As Crônicas de Nárnia, escrito por C.S Lewis. Em ordem cronológica, é o quinto livro da série, mas em ordem de escrita é o terceiro. Foi adaptado para o cinema há pouco tempo, pela Fox (diferentemente dos dois anteriores, que foram adaptados pela Walt Disney), mas ainda não tive tempo de assistir o filme, entretanto, li o livro, e vou dizer agora o que achei.



O livro fala da terceira vez em que os irmãos Pevensie vão a Nárnia, mas somente dois deles vão (Edmundo e Lúcia), e levam, sem querer, seu primo resmungão  Eustáquio. Vão parar em Nárnia por meio de um quadro, que os puxou para dentro de si, os jogando para dentro do Peregrino da Alvorada, um barco narniano, que está a procura dos sete fidalgos que Miraz, o ex-rei cruel de Nárnia, baniu do páis maravilhoso. Dentre os conhecidos de Lúcia e Edmundo presentes no barco estão Caspian X (Sobrinho de Miraz, e agora rei de Nárnia. Foi Caspian quem teve a idéia de procurar os set fidalgos utilizamdo-se de um dos melhores barcos de Nárnia.) e Ripchip (Um rato valente, corajoso, e pode ser comparado aos soldados patriotas da Europa e de outros cantos do mundo, que são capazes de fazer de tudo por seu país de origem. É um dos mais devotos a Aslam, o grande leão, que está a bordo.)
Um dos personagens que mais me chamou a atenção foi Eustáquio Clarêncio Mísero, primo de Lúcia e Edmundo, que no começo do livro ( e em quase metade dele) era muito resmungão, mal -educado e infantil. Depois de passar por uma difícil situação (que citarei qual é mais abaixo, no quadro de spoilers), Eustáquio vai mudando aos poucos de personalidade, se tornando uma pessoa educada, amigável e agradável. Mas não muda por completo, mostrando, ás vezes, somenta ás vezes, que seu lado irritante e mal-educado ainda não morreu completamente. Acho que foi com Eustáquio que Lewis( o autor) quis mostrar que não é fácil se livrar de um vício (que no caso de Eustáquio é a má-educação) e que recaídas pequenas são normais, mas, de um jeito ou de outro, o vício acaba morrendo.
Em minha visão, Eustáquio também é o retrato das milhares de crianças que desistem da infância para pensar em coisas sérias e adultas, esquecendo-se de coisas de criança como brincar, se divertir, e acreditar em magia.
Em um dos capítulos finais do Livro, Caspian (já mencionado acima) recebe, em seu camarote do barco, um aviso de Aslam, o grande leão, dizendo que já está na hora de Lúcia, Edmundo e Eustáqui voltarem para o nosso mundo. Depois disso Caspian fica muito arrogante e perturbador, assim como Eustáquio e Edmundo em suas primeiras aparições na série, mas logo depois se arrepende de ter tratado todos mal e cai na choradeira. Esse é um retrato de como nós ficamos furiosos quando recebemos uma notícia ruim (como a morte de um ente querido), de como ficamos desesperados procurando alguém para culpar, e de como ficamos arrasados quando finalmente entendemedos que as coisas acontecem porque devem acontecer, e não existe nenhum culpado.
Como quase todos os livros bons, termina com um final feliz , com todas as metas compridas e desejos realizados.
Além disso posso comentar que Lúcia, a Destemida, disse algo para descrevero cheiro dos lírios, mas que serve também para descrever o amor, e que vou levar para a minha vida toda.

                        Sinto que não posso mais aguentar isso e, no entanto, não quero que acabe.
Se você tem o livro As Crônicas de Nárnia, Volume Único, coloque na página 510 para ler esta bela frase com seus próprios olhos.


Quadro de Spoilers
Eustáquio se transforma em dragão, o que muda sua personalidade depois de se transformar novamente em humano.
O Peregrino da Alvorada, o barco, consegue encontrar os sete fidalgos, mas dois deles estavam mortos. Um foi morto por um dragão, e o outro morreu quando foi nadar em um rio mágico que o transformou em ouro.
Ripchip, o Rato, navegou sozinho até o Fim do Mundo, e até hoje vive saltitando e lutando felizmente no País de Aslam.
No livro seguinte a este, Lúcia e Edmundo não retornam a Nárnia, mas Eustáquio sim. Só que no último livro da série, todos retornam a Nárnia, exceto Susana, a Gentil.